{"id":411,"date":"2021-07-27T10:32:55","date_gmt":"2021-07-27T13:32:55","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ibiunainvest.com.br\/en\/?p=411"},"modified":"2021-07-27T10:32:55","modified_gmt":"2021-07-27T13:32:55","slug":"a-visao-otimista-e-tambem-pessimista-de-rodrigo-azevedo-da-ibiuna-investimentos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ibiunainvest.com.br\/en\/a-visao-otimista-e-tambem-pessimista-de-rodrigo-azevedo-da-ibiuna-investimentos\/","title":{"rendered":"A vis\u00e3o otimista (e tamb\u00e9m pessimista) de Rodrigo Azevedo, da Ibiuna Investimentos"},"content":{"rendered":"<div id=\"post\" class=\"chamadahome\">\n<p>O s\u00f3cio da Ibiuna Investimentos e ex-diretor do Banco Central, Rodrigo Azevedo, acredita que o Brasil cresce mais de 6% em 2021, mas n\u00e3o v\u00ea a agenda de reformas avan\u00e7ando por conta do ano eleitoral. Confira sua an\u00e1lise nesta entrevista ao NeoFeed<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"conteudoMateria\">\n<p>Com cerca de R$ 21 bilh\u00f5es sob gest\u00e3o, a Ibiuna Investimentos \u00e9 uma das maiores gestoras de recursos do Brasil e tem como carro-chefe o fundo Hedge STH, um multimercado macro que estuda os cen\u00e1rios de mais de 30 pa\u00edses para identificar oportunidades relacionadas a juros, infla\u00e7\u00e3o e atividade econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>Munido de um mapa global que garante diversifica\u00e7\u00e3o \u00e0 carteira, o Hedge STH tem conseguido superar com folga o seu\u00a0<em>benchmark<\/em>, o CDI. Nos \u00faltimos 12 meses, o retorno \u00e9 de 5,12%, ou 213% do CDI. Em prazos mais longos, os resultados se mostram ainda melhores: em 24 meses, a rentabilidade atinge 25% (364% do CDI) e, em 36 meses, chega a 38,07% (278% do CDI). O fundo, que no momento est\u00e1 fechado para capta\u00e7\u00e3o, ser\u00e1 reaberto no pr\u00f3ximo dia 2 de agosto.<\/p>\n<p>Entre as cabe\u00e7as que lideram o Hedge STH est\u00e1 a do gestor Rodrigo Azevedo, um ex-diretor de pol\u00edtica monet\u00e1ria do Banco Central (BC) que toca a estrat\u00e9gia macro junto com M\u00e1rio Tor\u00f3s, tamb\u00e9m ex-BC. Ambos s\u00e3o s\u00f3cios e fundaram a Ibiuna em 2010, ap\u00f3s as experi\u00eancias que tiveram em Bras\u00edlia.<\/p>\n<p>Azevedo diz ao\u00a0<strong>NeoFeed<\/strong>\u00a0que parte do esfor\u00e7o di\u00e1rio consiste em identificar o que a maioria do mercado n\u00e3o est\u00e1 enxergando nos pa\u00edses que analisam e tentar sair na frente. No \u00faltimo trimestre, a lupa se voltou especialmente para economias emergentes, em uma tentativa de achar os bancos centrais que sinalizam juros parados por muito tempo sem que as tend\u00eancias de infla\u00e7\u00e3o justifiquem a postura. \u201cQuando reagem, tem dinheiro para ser feito\u201d, afirma Azevedo .<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao Brasil, ele enxerga um BC que demorou para reagir ao avan\u00e7o dos pre\u00e7os, mas reconhece que \u00e9 f\u00e1cil analisar o passado e ressalta que o erro j\u00e1 foi corrigido, a ponto de o BC e o mercado voltarem a falar a mesma l\u00edngua. \u201cAs expectativas de infla\u00e7\u00e3o come\u00e7am a ficar mais ancoradas pr\u00f3ximo \u00e0 meta, mesmo com revis\u00f5es para cima das proje\u00e7\u00f5es de 2021. \u00c9 isso que caracteriza se um BC est\u00e1 fazendo um bom trabalho ou n\u00e3o\u201d, diz Azevedo.<\/p>\n<p>J\u00e1 quando os olhos se voltam para o Pal\u00e1cio do Planalto e o Minist\u00e9rio da Economia, o tom \u00e9 de mais ceticismo. O s\u00f3cio da Ibiuna at\u00e9 admite que h\u00e1 um esfor\u00e7o para que a agenda de reformas avance, mas lembra que tem uma elei\u00e7\u00e3o j\u00e1 no ano que vem. \u201c\u00c9 dif\u00edcil ver incentivo para o atual presidente (Jair Bolsonaro), ou para o ciclo pol\u00edtico em geral, fazer reformas duras nos \u00faltimos 12 meses antes da elei\u00e7\u00e3o\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Na entrevista exclusiva que segue, Azevedo fala sobre o crescimento do PIB, que ele acredita ser de 6% neste ano; sobre o programa de privatiza\u00e7\u00f5es, que praticamente n\u00e3o andou; comenta o plano de reforma tribut\u00e1ria; analisa a economia global e revela onde est\u00e3o as boas oportunidades de investimentos. Acompanhe:<\/p>\n<p><strong>Qual \u00e9, hoje, a sua vis\u00e3o para a economia brasileira?<\/strong><br \/>\nO Brasil, historicamente, tinha quatro grandes problemas do ponto de vista macroecon\u00f4mico: infla\u00e7\u00e3o, balan\u00e7a de pagamentos, pouco crescimento e a quest\u00e3o fiscal. Ao longo do tempo, resolvemos o problema da balan\u00e7a de pagamentos, com o Brasil sendo credor l\u00edquido em moeda estrangeira, e a infla\u00e7\u00e3o parece tamb\u00e9m ter sido superada. Sobraram os outros dois. O primeiro, de natureza fiscal, \u00e9 que o Brasil gasta muito e gasta mal, e tem excesso de endividamento. Al\u00e9m disso, o pa\u00eds cresce pouco, por uma s\u00e9rie de fatores, como ser uma economia fechada e ter baixa educa\u00e7\u00e3o. Em um ambiente de muita d\u00edvida e baixo crescimento, voc\u00ea fica vulner\u00e1vel. O problema \u00e9 que \u00e0s vezes voc\u00ea precisa gastar mais, porque acidentes de percursos como uma pandemia acontecem e o Estado precisa ter capacidade de responder a isso.<\/p>\n<p><strong>E qual \u00e9 o grau de preocupa\u00e7\u00e3o com esse cen\u00e1rio daqui para frente?<\/strong><br \/>\nAt\u00e9 abril do ano passado, a gente estava muito preocupado. Agora, estamos menos preocupados. Com o tamanho da resposta que tivemos de dar, a d\u00edvida como propor\u00e7\u00e3o do PIB estava explodindo, saindo de 75% no pr\u00e9-pandemia para chegar a 90% e seguir em alta. Isso te leva para ciclo vicioso, porque o pr\u00eamio de risco fica mais alto, o juro real fica mais alto e o crescimento fica mais baixo. A gente olhava e pensava: isso n\u00e3o tem cara de que vai acabar bem. O que aconteceu do segundo trimestre para c\u00e1? Houve uma reavalia\u00e7\u00e3o importante. Todos n\u00f3s ach\u00e1vamos que o resultado da segunda onda da pandemia iria afetar muito o PIB no segundo trimestre e o crescimento deste ano ficaria na casa de 2,5% e 3%. Mas a economia foi muito mais resiliente nessa segunda onda, nada pr\u00f3ximo ao que foi na primeira onda. Hoje em dia, achamos que a expans\u00e3o do PIB ser\u00e1 acima de 6%, e ano que vem, que estava com cara de 1,5% a 2%, agora ser\u00e1 3%. Faz diferen\u00e7a, em termos de PIB, crescer 3% ou 6%.<\/p>\n<p><strong>Qual \u00e9, ent\u00e3o, a perspectiva para a d\u00edvida?<\/strong><br \/>\nOutra coisa que surpreendeu bastante foi o impacto dos termos de troca e da infla\u00e7\u00e3o tanto na arrecada\u00e7\u00e3o do governo como para o endividamento. Para a d\u00edvida p\u00fablica, o que importa \u00e9 o PIB nominal, que \u00e9 o PIB mais a infla\u00e7\u00e3o. Como teremos o PIB crescendo mais em 2021 e uma infla\u00e7\u00e3o de 6,5% a 6,7%, o denominador est\u00e1 mais inflado do que imagin\u00e1vamos. O resultado disso \u00e9 que a propor\u00e7\u00e3o da d\u00edvida em rela\u00e7\u00e3o ao PIB, que sairia de 75% para 90%, no fim desse ano estar\u00e1 em torno de 81%, com estimativas que indicam razo\u00e1vel chance de estabiliza\u00e7\u00e3o ou pequena queda em 2022, se o teto de gastos for respeitado. Claro que 80% ainda \u00e9 muita d\u00edvida, por isso ainda estou preocupado. No entanto, o ponto de partida \u00e9 muito mais baixo. Antes eu achava que haveria no fim do ano que vem uma d\u00edvida de 95% a 96%, que seria a heran\u00e7a do pr\u00f3ximo governo, seja o atual reeleito ou um novo. O que aconteceu \u00e9 que ganhamos tempo para trabalhar melhor as nossas quest\u00f5es estruturais. E \u00e9 por isso que estamos menos preocupados. Mas o endividamento ainda \u00e9 alto e estamos fazendo pouco para resolver o outro problema, o de crescimento, o que nos leva a estar bastante preocupados com o m\u00e9dio prazo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>\u201cAchamos que a expans\u00e3o do PIB ser\u00e1 acima de 6%, e ano que vem, que estava com cara de 1,5% a 2%, agora ser\u00e1 3%\u201d<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>O governo atual ainda tem um ano e meio de mandato. Voc\u00ea acredita que seja poss\u00edvel ainda fazer algo de positivo na agenda econ\u00f4mica?<\/strong><br \/>\nH\u00e1 um esfor\u00e7o de avan\u00e7o na agenda. Mas, como economista, eu tendo a pensar que pessoas, institui\u00e7\u00f5es e empresas reagem a incentivos. \u00c9 dif\u00edcil ver incentivo para o atual presidente, ou para o ciclo pol\u00edtico em geral, fazer reformas duras nos \u00faltimos 12 meses antes da elei\u00e7\u00e3o. Em geral, os ciclos pol\u00edticos indicam que as reformas mais abrangentes e que mexem com o status quo s\u00e3o feitas no primeiro ano de mandato, e n\u00e3o no \u00faltimo ano. E tem raz\u00e3o para isso. A recompensa para as reformas toma tempo. Com reformas no primeiro ano de mandato, voc\u00ea pode ser reconhecido no terceiro ou quarto ano, por tudo aquilo que fez no come\u00e7o. O incentivo para fazer um monte de reforma dura agora parece bem menor. Pode ter avan\u00e7o, mas sou c\u00e9tico quanto aos avan\u00e7os que o Brasil precisa para ter acelera\u00e7\u00e3o mais permanente de crescimento.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea est\u00e1 c\u00e9tico em rela\u00e7\u00e3o a que pautas?<\/strong><br \/>\nPrivatiza\u00e7\u00f5es, por exemplo. A da Eletrobras, que n\u00e3o est\u00e1 nem perto do que deveria ter sido, tem uma s\u00e9rie de penduricalhos. Mas o grande programa de privatiza\u00e7\u00f5es deste governo simplesmente n\u00e3o aconteceu e n\u00e3o vai acontecer nos pr\u00f3ximos 12 meses. Outra coisa que posso dizer, e que n\u00e3o tem nada a ver com o Congresso, \u00e9 a abertura da economia. Este governo entrou com a ideia de que era muito importante abrir a economia, e de fato \u00e9, j\u00e1 que a economia brasileira \u00e9 uma das mais fechadas do mundo. Mas tamb\u00e9m n\u00e3o vai acontecer nos pr\u00f3ximos 12 meses. A reforma administrativa que foi proposta \u00e9 muito aguada e n\u00e3o direciona os problemas que temos na gest\u00e3o de pessoal nos tr\u00eas n\u00edveis de governo. E est\u00e1 assim porque, se voc\u00ea afetar os funcion\u00e1rios p\u00fablicos atuais, a chance de reelei\u00e7\u00e3o do presidente \u00e9 muito mais baixa.<\/p>\n<p><strong>E a reforma tribut\u00e1ria?<\/strong><br \/>\nA reforma tribut\u00e1ria que est\u00e1 em pauta n\u00e3o discute nem de longe o principal problema, que \u00e9 o ICMS, que tem legisla\u00e7\u00f5es distintas para cada estado, com um custo alto de observ\u00e2ncia para as empresas, e poderia ter impacto relevante para produtividade das empresas. Estava na PEC 45 que era muito mais ampla e foi abandonada. O que o governo est\u00e1 fazendo \u00e9 uma pequena reforma dentro do sistema que afeta basicamente o imposto de renda.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>\u201cA reforma tribut\u00e1ria que est\u00e1 em pauta n\u00e3o discute nem de longe o principal problema, que \u00e9 o ICMS\u201d<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>O que achou da proposta para o imposto de renda?<\/strong><br \/>\n\u00c9 muito dif\u00edcil mexer em um pedacinho do sistema sem mexer no resto inteiro. Uma das discuss\u00f5es \u00e9 baixar o imposto de renda para pessoa jur\u00eddica e subir a tributa\u00e7\u00e3o de dividendos para compensar. O governo diz que o resultado disso \u00e9 neutro, mas \u00e9 neutro de maneira consolidada. H\u00e1 ganhadores e perdedores. Seja quem ganha ou quem perde, h\u00e1 uma s\u00e9rie de outros impostos. Uma discuss\u00e3o que deve vir depois \u00e9 a proposta do CBS (Contribui\u00e7\u00e3o sobre Bens e Servi\u00e7os), que vai implicar aumento de impostos para algumas \u00e1reas, em benef\u00edcio a outras. Alguns setores, ent\u00e3o, poder\u00e3o ser duplamente afetados, pela proposta do imposto de renda e do CBS. Minha principal cr\u00edtica \u00e9 fazer isso de forma separada. Tem que fazer de forma consolidada. Al\u00e9m disso, quando se faz reforma a toque de caixa e manda implementar no dia 1 de janeiro de 2022, para as empresas \u00e9 uma mudan\u00e7a muito relevante, o que gera desorganiza\u00e7\u00e3o e realoca\u00e7\u00e3o de recursos para se defender. Quando voc\u00ea tem um setor muito mais taxado e outro muito menos, o agente econ\u00f4mico vai tentar sair de um para o outro. Em geral, esse tipo de coisa tira crescimento do curto prazo. Se bem desenhado e bem implementado, pode gerar mais crescimento no m\u00e9dio, mas sou mais c\u00e9tico com isso.<\/p>\n<p><strong>Se a proximidade da elei\u00e7\u00e3o te deixa c\u00e9tico quanto a reformas, existe tamb\u00e9m o receio de que o governo v\u00e1 pelo caminho contr\u00e1rio e, pensando em reelei\u00e7\u00e3o, passe a gastar mais?<\/strong><br \/>\nS\u00e3o duas hist\u00f3rias a\u00ed. A primeira \u00e9 o tamanho do gasto e a outra \u00e9 a aloca\u00e7\u00e3o do gasto. O tamanho \u00e9 limitado pelo teto de gastos e n\u00f3s teremos um pouco mais de espa\u00e7o no ano que vem, dada a infla\u00e7\u00e3o mais alta. Mas n\u00e3o \u00e9 um espa\u00e7o muito maior e aparentemente o governo vai usar este espa\u00e7o para ampliar o Bolsa Fam\u00edlia. Eu n\u00e3o estou vendo indica\u00e7\u00e3o, pelo menos vindo do Minist\u00e9rio da Economia, e mesmo da base do governo, o Centr\u00e3o, de que existe disposi\u00e7\u00e3o de fazer uma viola\u00e7\u00e3o para o ano que vem do teto, at\u00e9 porque o teto sobe. O teto \u00e9 uma quest\u00e3o muito relevante al\u00e9m de 2022, pois \u00e9 a principal \u00e2ncora de expectativa sobre a trajet\u00f3ria da d\u00edvida p\u00fablica do Brasil para frente. A outra discuss\u00e3o \u00e9 a aloca\u00e7\u00e3o do gasto, que est\u00e1 se voltando mais para os benefici\u00e1rios do Bolsa Fam\u00edlia. Do outro lado, h\u00e1 uma briga no Centr\u00e3o por poder maior sobre emendas. \u00c9 mais uma discuss\u00e3o de remanejamento dos gastos do que de aumento pelos pr\u00f3ximos 12 ou 18 meses.<\/p>\n<p><strong>O problema fiscal pode ser maior a depender de quem sentar na cadeira presidencial a partir de 1\u00ba de janeiro de 2023?<br \/>\n<\/strong>Teremos um problema pela frente, independentemente de quem vencer a elei\u00e7\u00e3o. Qual ser\u00e1 a grande tenta\u00e7\u00e3o? Imagina que o Brasil come\u00e7a a crescer mais. Vamos supor que todos estejamos errados e, em vez de o Brasil crescer 2,5% a 3% em 2022, cresce 5%. A receita vai crescer bastante. E qual foi o desenho do teto? Quando o Brasil cresce, a receita cresce mais que gastos e isso aumenta o super\u00e1vit prim\u00e1rio, que serve para abater a d\u00edvida. S\u00f3 que, depois de longo per\u00edodo de recess\u00e3o e baixo crescimento, haver\u00e1 uma demanda social enorme por gasto. Respeitar o teto de gasto no momento em que o pa\u00eds estiver crescendo ser\u00e1 um desafio para qualquer governo, seja esse governo reeleito ou outro governo qualquer.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>\u201cRespeitar o teto de gasto no momento em que o pa\u00eds estiver crescendo ser\u00e1 um desafio para qualquer governo\u201d<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Voc\u00ea mencionou que est\u00e1 esperando crescimento de 6% para este ano, uma previs\u00e3o acima da mediana das proje\u00e7\u00f5es do boletim Focus, de 5,27%. A Ibiuna est\u00e1 vendo algo que o mercado n\u00e3o est\u00e1?<br \/>\n<\/strong>O Focus \u00e9 uma estimativa de mais de 100 analistas, que n\u00e3o necessariamente acompanham no grau de detalhe que a gente acompanha. N\u00e3o \u00e9 que eu saiba algo a mais que ningu\u00e9m sabe. Mas eu tenho mecanismos de atualiza\u00e7\u00e3o e esfor\u00e7o de acompanhamento da economia que n\u00e3o \u00e9 similar ao dos 100. Se olhar as 10 a 15 casas que fazem o acompanhamento da maneira como fazemos, todas elas est\u00e3o mais pr\u00f3ximas de 6%, talvez um pouco abaixo ou um pouco acima. Na minha avalia\u00e7\u00e3o, o Focus vai mudar nas pr\u00f3ximas tr\u00eas a cinco semanas, em dire\u00e7\u00e3o a um n\u00famero mais pr\u00f3ximo de 6%. \u00c9 por isso que tenho um departamento de economia robusto aqui, para antecipar tend\u00eancias e olhar onde est\u00e3o as oportunidades do mercado.<\/p>\n<p><strong>A infla\u00e7\u00e3o tem passado por choques e for\u00e7ou o BC a subir juros. A din\u00e2mica dos pre\u00e7os \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o de curto prazo ou de longo prazo?<br \/>\n<\/strong>A gente tem um problema agudo no curto prazo, muito agudo. A infla\u00e7\u00e3o acumulada em 12 meses ultrapassa 8%, enquanto o centro da meta \u00e9 de 3,75%, com um teto de 5,25%. Para quem se planejou olhando o regime de metas de infla\u00e7\u00e3o, est\u00e1 se desviando muito. Al\u00e9m disso, o Brasil tem uma caracter\u00edstica institucional de indexar a infla\u00e7\u00e3o passada tanto formalmente quanto informalmente. Por exemplo, \u00e9 formal em contratos de aluguel e \u00e9 informal em negocia\u00e7\u00f5es de sal\u00e1rios que pedem a reposi\u00e7\u00e3o da infla\u00e7\u00e3o. O que acontece \u00e9 que choques tempor\u00e1rios acabam tendo persist\u00eancia muito maior porque est\u00e3o carregados pela frente por aumentos associados \u00e0 infla\u00e7\u00e3o passada. \u00c9 muito dif\u00edcil para o BC atingir a meta de infla\u00e7\u00e3o de 2022, de 3,5%, quando h\u00e1 uma s\u00e9rie de pre\u00e7os na economia crescendo a 8%. Mas o BC est\u00e1 reagindo, sendo um dos primeiros bancos centrais a subir a taxa de juros no mundo, e fazendo um dos maiores ajustes, apesar de termos tido uma das maiores quedas tamb\u00e9m, indo a 2% ao ano. E, aparentemente, a julgar pelo consenso de estimativas de infla\u00e7\u00e3o, o BC est\u00e1 sendo bem-sucedido em transmitir a mensagem de que a alta da infla\u00e7\u00e3o ser\u00e1 tempor\u00e1ria. At\u00e9 o fim do ano, a nossa estimativa \u00e9 de 6,6% a 6,7%, j\u00e1 levando em conta os impactos dos choques. E o Focus para o ano que vem indica infla\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima a 3,7% ou 3,8%.<\/p>\n<p><strong>A seu ver, ent\u00e3o, o BC est\u00e1 indo bem?<\/strong><br \/>\nTemos discord\u00e2ncias pontuais, de sintonia fina. Mas uma caracter\u00edstica importante deste BC \u00e9 que ele repara os seus erros e corre atr\u00e1s. \u00c9 diferente de outros bancos centrais que deixaram a infla\u00e7\u00e3o correr muito mais solta e com convic\u00e7\u00e3o. Claro que, quando j\u00e1 passou, \u00e9 mais f\u00e1cil falar, mas foi feita uma avalia\u00e7\u00e3o errada sobre o tamanho do choque que est\u00e1vamos vivendo. Isso levou o BC a iniciar o ciclo de alta de juros mais tarde do que deveria e sinalizar inicialmente que iria subir menos do que estava se provando necess\u00e1rio. Mas o erro j\u00e1 foi reparado e hoje h\u00e1 converg\u00eancia entre a avalia\u00e7\u00e3o do mercado sobre aquilo que \u00e9 necess\u00e1rio e aquilo que o BC sinaliza. E o resultado \u00e9 que as expectativas de infla\u00e7\u00e3o come\u00e7am a ficar mais ancoradas pr\u00f3ximo \u00e0 meta, mesmo com revis\u00f5es para cima das proje\u00e7\u00f5es de infla\u00e7\u00e3o em 2021. \u00c9 isso que caracteriza se um BC est\u00e1 fazendo um bom trabalho ou n\u00e3o. Para o fim do ano, a nossa expectativa \u00e9 que a Selic termine a 7%.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>\u201cO grande tema de investimentos que estamos trabalhando para 2021 \u00e9 o oposto do que vimos em 2019 ou 2020\u201d<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Pelo acompanhamento que a Ibiuna faz de outros pa\u00edses, qual \u00e9 o cen\u00e1rio l\u00e1 fora para investimentos?<br \/>\n<\/strong>O grande tema de investimentos que estamos trabalhando para 2021 \u00e9 o oposto do que vimos em 2019 ou 2020. Nos \u00faltimos dois anos, a economia global estava desacelerando, com risco de recess\u00e3o e sem risco de infla\u00e7\u00e3o. Como resultado, os BCs lutaram contra isso cortando juros. Foi assim que ganhamos dinheiro em 2019, com o Ibiuna Hedge STH, nosso principal fundo macro, que rendeu 16,2% (nos \u00faltimos 12 meses, teve retorno de 5,13%, ou 213% do CDI). Em 2020, parecia que o juro ia ficar parado, quando veio a covid-19 e os BCs utilizaram toda a muni\u00e7\u00e3o remanescente entre mar\u00e7o e julho. Quando vimos a crise chegando, rapidamente nos posicionamos e fizemos bastante dinheiro porque todo mundo cortou juros ao mesmo tempo. Num ambiente de recess\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 bom para a rentabilidade das empresas, ent\u00e3o evitamos exposi\u00e7\u00e3o grande em renda vari\u00e1vel. Em 2021, estamos vivendo o oposto disso tudo. Os BCs j\u00e1 deixaram toda a taxa de juros para baixo, h\u00e1 muito est\u00edmulo fiscal e o mundo inteiro est\u00e1 numa trajet\u00f3ria de recupera\u00e7\u00e3o. E, al\u00e9m de tudo, veio a vacina, com aplica\u00e7\u00e3o mais disseminada. Agora, voc\u00ea come\u00e7a a discutir tend\u00eancias de infla\u00e7\u00e3o. Eu quero apostar nos pa\u00edses onde os juros v\u00e3o ser mais altos do que o mercado est\u00e1 esperando e tamb\u00e9m quero ter bastante renda vari\u00e1vel, porque a volta do crescimento favorece a rentabilidade das empresas e o cr\u00e9dito.<\/p>\n<p><strong>E onde est\u00e3o estas oportunidades?<\/strong><br \/>\nS\u00e3o dois prismas. Pelo primeiro, vemos os pa\u00edses que est\u00e3o mais avan\u00e7ando na vacina\u00e7\u00e3o, que s\u00e3o onde as economias reabrem mais r\u00e1pido, as empresas come\u00e7am a funcionar mais cedo, e press\u00f5es inflacion\u00e1rias aparecem mais r\u00e1pido tamb\u00e9m. De setembro para c\u00e1, fizemos bastante China, Jap\u00e3o e Estados Unidos. Inicialmente, nos concentramos mais nos EUA. No segundo trimestre, colocamos mais na Europa, onde a vacina\u00e7\u00e3o, que estava mais atrasada, come\u00e7ou a andar mais. O segundo prisma \u00e9 pol\u00edtica monet\u00e1ria. Em 2019 e 2020, todo mundo cortou juros ao mesmo tempo, porque a crise bateu para todo mundo, mas a sa\u00edda da crise n\u00e3o \u00e9 sincronizada. H\u00e1 pa\u00edses onde a press\u00e3o inflacion\u00e1ria aparece mais cedo, com pesos diferentes de alimentos em \u00edndices de pre\u00e7os. Outra coisa \u00e9 que existe uma quest\u00e3o hist\u00f3rica, com pa\u00edses e regi\u00f5es que t\u00eam mais dificuldade de gerar infla\u00e7\u00e3o e, por causa disso, os choques tempor\u00e1rios n\u00e3o afetam tanto a expectativa de m\u00e9dio prazo e o BC local n\u00e3o precisa reagir muito, como EUA, Jap\u00e3o e Europa. Nosso trabalho \u00e9 fazer um mapa, ver onde os BCs v\u00e3o reagir primeiro e comparar com o que os mercados est\u00e3o vendo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>\u201cH\u00e1 oportunidades, sim, no Brasil. Para essa janela, a principal \u00e9 no juro real, em pap\u00e9is atrelados \u00e0 infla\u00e7\u00e3o mais longa\u201d<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Poderia dar um exemplo?<\/strong><br \/>\nO Chile. O mercado estava vendo o Chile como se fosse os EUA. O BC deles foi o que cortou juros mais para baixo, a 0,5%, e vinha dizendo que n\u00e3o iria subir. O mercado acreditou. A gente parou e olhou a tend\u00eancia de infla\u00e7\u00e3o. Isso aqui \u00e9 o Chile, n\u00e3o s\u00e3o os EUA. N\u00e3o adianta o BC local decretar que eles s\u00e3o os EUA, porque a infla\u00e7\u00e3o deles se comporta como Chile. Em junho, o pr\u00f3prio BC chamou uma entrevista coletiva para anunciar um relat\u00f3rio de infla\u00e7\u00e3o que revisava muito as estimativas e, em vez de subir os juros no fim do ano, ia subir j\u00e1 em julho. No segundo trimestre, ficamos mais em emergentes. Al\u00e9m do Chile, M\u00e9xico, Rep\u00fablica Tcheca e \u00c1frica do Sul. S\u00e3o hist\u00f3rias onde o BC promete ficar parado muito tempo e as tend\u00eancias de infla\u00e7\u00e3o mostram que eles n\u00e3o v\u00e3o poder fazer isso por muito tempo e ter\u00e3o que reagir. Quando reagem, tem dinheiro para ser feito.<\/p>\n<p><strong>O Brasil tamb\u00e9m apresenta ou apresentou oportunidades?<\/strong><br \/>\nEu gosto muito de ter uma classe de renda vari\u00e1vel nesse momento, mas tenho muito pouco de Ibovespa no fundo macro. Para ativos de mais risco, eu prefiro colocar fora do Brasil. Existe uma correla\u00e7\u00e3o grande o Ibovespa e \u00edndices como o S&amp;P 500 e o da bolsa alem\u00e3, mas acho que o fator idiossincr\u00e1tico nesses pa\u00edses indica que a performance ajustada ao risco \u00e9 melhor l\u00e1 do que no Ibovespa. Mas h\u00e1 oportunidades, sim, no Brasil. Para essa janela de maior tranquilidade que envolve os pr\u00f3ximos seis a 12 meses, a principal \u00e9 no juro real, em pap\u00e9is atrelados \u00e0 infla\u00e7\u00e3o mais longa. Um juro real com infla\u00e7\u00e3o mais 4% \u00e9 bastante atrativo nesse momento. E, taticamente, acho que o real, com a situa\u00e7\u00e3o atual, com o juro subindo no Brasil, n\u00e3o tem que operar com o d\u00f3lar pr\u00f3ximo de R$ 5,50 ou R$ 5,80, como operava. Tem que operar perto de R$ 5. Quando o d\u00f3lar vai para R$ 5,30, como foi agora, eu gosto do real. A R$ 5, n\u00e3o.<\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte: https:\/\/neofeed.com.br\/blog\/home\/a-visao-otimista-e-tambem-pessimista-de-rodrigo-azevedo-da-ibiuna-investimentos\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O s\u00f3cio da Ibiuna Investimentos e ex-diretor do Banco Central, Rodrigo Azevedo, acredita que o Brasil cresce mais de 6% em 2021, mas n\u00e3o v\u00ea a agenda de reformas avan\u00e7ando por conta do ano eleitoral. Confira sua an\u00e1lise nesta entrevista ao NeoFeed Com cerca de R$ 21 bilh\u00f5es sob gest\u00e3o, a Ibiuna Investimentos \u00e9 uma [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":412,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ibiunainvest.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/411"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ibiunainvest.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ibiunainvest.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ibiunainvest.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ibiunainvest.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=411"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.ibiunainvest.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/411\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":413,"href":"https:\/\/www.ibiunainvest.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/411\/revisions\/413"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ibiunainvest.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/412"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ibiunainvest.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=411"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ibiunainvest.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=411"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ibiunainvest.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=411"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}