{"id":447,"date":"2021-11-28T07:50:06","date_gmt":"2021-11-28T10:50:06","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ibiunainvest.com.br\/en\/?p=447"},"modified":"2021-12-21T12:26:42","modified_gmt":"2021-12-21T15:26:42","slug":"estejam-preparados-para-mais-inflacao-e-volatilidade-diz-rodrigo-azevedo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ibiunainvest.com.br\/en\/estejam-preparados-para-mais-inflacao-e-volatilidade-diz-rodrigo-azevedo\/","title":{"rendered":"Estejam preparados para mais infla\u00e7\u00e3o e volatilidade, diz Rodrigo Azevedo"},"content":{"rendered":"<p>A infla\u00e7\u00e3o j\u00e1 se tornou \u2013 e ser\u00e1 cada vez mais \u2013 o grande foco dos mercados. Essa \u00e9 a vis\u00e3o de Rodrigo Azevedo, s\u00f3cio-fundador e CIO da \u00e1rea macro da Ibiuna Investimentos, uma das gestoras mais conceituadas do Brasil, com 24,1 bilh\u00f5es de reais sob gest\u00e3o. <\/p>\n<p>Azevedo, ex-diretor de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria do Banco Central, argumenta que a escalada da infla\u00e7\u00e3o ser\u00e1 uma barreira dif\u00edcil de superar e que os gestores devem estar prontos para um cen\u00e1rio de turbul\u00eancia tanto no Brasil quanto nas bolsas do exterior.<\/p>\n<p>\u201cO movimento de alta da infla\u00e7\u00e3o ser\u00e1 maior, mais disseminado e mais persistente, acima at\u00e9 mesmo do que dizem as estimativas mais recentes. A mensagem \u00e9 que os gestores precisam estar preparados para um ambiente bastante vol\u00e1til, que vai surpreender os otimistas\u201d, defendeu Azevedo em entrevista \u00e0 EXAME Invest.<\/p>\n<p>Para lidar com o cen\u00e1rio mais desafiador, a estrat\u00e9gia dos produtos macroecon\u00f4micos da casa tem sido buscar oportunidades em infla\u00e7\u00e3o e juros em 30 pa\u00edses. Os resultados j\u00e1 apareceram neste ano: o fundo multimercado Hedge STH, carro-chefe da casa, registrou um retorno de 10,8% em 2021, superando o benchmark, o CDI, em 325% at\u00e9 agora.<\/p>\n<p>Parte dos retornos veio de apostas na alta da infla\u00e7\u00e3o brasileira, mas, para os pr\u00f3ximos meses, a Ibiuna prefere manter a maior parte de seu portf\u00f3lio em ativos no exterior. Na vis\u00e3o da gestora, o pa\u00eds deve ser um dos mais afetados no cen\u00e1rio de alta volatilidade que se avizinha. <\/p>\n<p>Veja abaixo a entrevista completa com Rodrigo Azevedo, s\u00f3cio-fundador e CIO da \u00e1rea macro da Ibiuna Investimentos, sobre os desafios para a a economia brasileira e a estrat\u00e9gia da gestora:<\/p>\n<p><strong>Desafios para o Brasil<\/strong><br \/>\n<strong>Quais as perspectivas para o Brasil no atual cen\u00e1rio macroecon\u00f4mico?<\/strong><\/p>\n<p>Ser\u00e1 bastante desafiador. Existem aspectos internos e externos que v\u00e3o colocar desafios importantes para os gestores de pol\u00edtica econ\u00f4mica no Brasil no pr\u00f3ximo ano.<\/p>\n<p>Come\u00e7ando pela parte externa: estamos passando por um per\u00edodo de transi\u00e7\u00e3o de pol\u00edtica monet\u00e1ria no mundo inteiro, que responde a tend\u00eancias de infla\u00e7\u00e3o mais disseminadas e persistentes. Nos Estados Unidos, a perspectiva \u00e9 que o Fed fa\u00e7a uma transi\u00e7\u00e3o para um per\u00edodo de aperto da pol\u00edtica monet\u00e1ria em meados do ano que vem. As consequ\u00eancias s\u00e3o a desacelera\u00e7\u00e3o do crescimento e a menor disponibilidade de fluxos para ativos de risco, incluindo pa\u00edses emergentes. <\/p>\n<p>Sob certos aspectos, o per\u00edodo que se seguiu \u00e0 Covid trouxe ventos externos muito favor\u00e1veis para o Brasil: muita liquidez, juro baixo, o mundo acelerando e puxando pre\u00e7os de commodities.<\/p>\n<p>Agora esses ventos est\u00e3o gradualmente virando e dever\u00e3o ficar mais contr\u00e1rios em 2022. Os pa\u00edses emergentes que n\u00e3o estiverem com seus fundamentos s\u00f3lidos tendem a sofrer mais.<\/p>\n<p><strong>O Brasil n\u00e3o est\u00e1 com seus fundamentos s\u00f3lidos? Quais s\u00e3o os desafios internos para o pa\u00eds?<\/strong><\/p>\n<p>Do ponto de vista interno, existem dois grandes desafios. O primeiro \u00e9 conter a alta da infla\u00e7\u00e3o e assegurar que ela convirja de volta para as metas. Temos, neste ano, uma infla\u00e7\u00e3o que, no nosso entender, vai se situar pr\u00f3ximo a 10,3%, ficando em 5% em 2022. Isso demanda uma pol\u00edtica monet\u00e1ria bastante apertada, com juros que se situem pr\u00f3ximos a 12% pela maior parte do ano que vem.<\/p>\n<p>\u00c9 uma medida necess\u00e1ria para conter a infla\u00e7\u00e3o, mas que tem consequ\u00eancias do ponto de vista de crescimento, uma vez que o PIB estar\u00e1 bem mais fraco do que o de 2021.<\/p>\n<p>O segundo desafio \u00e9 assegurar a credibilidade da sustentabilidade da d\u00edvida p\u00fablica no meio de um processo eleitoral. Nesse cen\u00e1rio, estabelecer um compromisso como refor\u00e7o de um mecanismo alternativo ao teto de gastos \u00e9 importante.<\/p>\n<p><strong>Qual a sua avalia\u00e7\u00e3o sobre a decis\u00e3o do governo de mudar a regra de funcionamento do teto de gastos? Qual seria a melhor alternativa para estabilizar as contas p\u00fablicas?<\/strong><\/p>\n<p>Ao remover total ou parcialmente o teto de gastos, o governo comprometeu a credibilidade desse instrumento como garantidor de que o ajuste fiscal nas contas p\u00fablicas seria feito ao longo do tempo. E, como n\u00e3o foi colocado nada igualmente cr\u00edvel no lugar, o resultado \u00e9 que os pr\u00eamios de risco voltaram a subir. <\/p>\n<p>O teto foi criado como uma regra r\u00edgida para que ele fosse cr\u00edvel. Mas quando essa regra passa a ser facilmente modificada, \u00e9 dif\u00edcil achar que qualquer regra vai trazer essa credibilidade. O mais importante \u00e9 que o governo \u2013 e sua base no Congresso \u2013 que esteja implementando a pol\u00edtica fiscal tenha de fato um compromisso com a responsabilidade fiscal. Isso \u00e9 t\u00e3o ou mais importante do que o mecanismo espec\u00edfico do teto de gastos.<\/p>\n<p><strong>O atual governo seria capaz de garantir essa mudan\u00e7a ou seria necess\u00e1rio uma mudan\u00e7a para 2023?<\/strong><\/p>\n<p>O atual governo, junto com a atual base no Congresso, j\u00e1 mostrou que \u00e9 poss\u00edvel arrumar os votos necess\u00e1rios para liberar mais gastos. \u00c9 muito dif\u00edcil recuperar o teto de gastos com essa combina\u00e7\u00e3o [na condu\u00e7\u00e3o do pa\u00eds] neste momento. <\/p>\n<p>J\u00e1 2023 est\u00e1 em aberto. A grande pergunta \u00e9 qual ser\u00e1 o regime macroecon\u00f4mico que vigorar\u00e1 no pa\u00eds a partir de 1\u00ba de janeiro de 2023. Essa \u00e9 uma quest\u00e3o que vai dominar o debate no pr\u00f3ximo ano e \u00e9 o que, de fato, vai decidir a trajet\u00f3ria dos ativos do Brasil.<\/p>\n<p><strong>A estrat\u00e9gia da Ibiuna<\/strong><br \/>\nO fundo multimercado <strong>Hedge STH<\/strong>, carro-chefe da casa, registrou um retorno de 10,8% em 2021, superando seu benchmark, o CDI, em 325% at\u00e9 agora. Qual foi a estrat\u00e9gia da gestora para alcan\u00e7ar esse resultado?<\/p>\n<p>O tema principal que n\u00f3s temos explorado neste ano \u00e9 a volta da infla\u00e7\u00e3o no Brasil e no mundo. \u00c9 uma tese que vem basicamente de uma reflex\u00e3o de que, no ano passado, houve um relaxamento generalizado de pol\u00edtica monet\u00e1ria em todos os lugares do mundo, e que as economias, em geral, surpreenderam. Isso colocou press\u00f5es de demanda sobre commodities e sobre v\u00e1rios produtos que estavam com baixos estoques. O resultado \u00e9 que a infla\u00e7\u00e3o est\u00e1 se mostrando mais alta e mais disseminada do que se imaginava seis ou doze meses atr\u00e1s.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, nossa estrat\u00e9gia \u00e9, basicamente, procurar mercados para comprar estimativa de infla\u00e7\u00e3o (infla\u00e7\u00e3o impl\u00edcita) ou para adotar posi\u00e7\u00f5es tomadas em taxas de juros. Ou seja, s\u00e3o investimentos que se beneficiam se os juros na curva de juros subirem. Fizemos bastante dinheiro neste ano em posi\u00e7\u00f5es tomadas em infla\u00e7\u00e3o no Brasil e com posi\u00e7\u00f5es tomadas em juros no Chile, no M\u00e9xico, na Pol\u00f4nia, na Rep\u00fablica Checa, na Europa e nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Eu acho que a bolsa est\u00e1 certamente bem mais atrativa. Mas, de uma maneira geral, mesmo que a gente tenha pre\u00e7os atrativos em renda vari\u00e1vel, ou que o c\u00e2mbio pare\u00e7a bastante depreciado, o per\u00edodo \u00e0 frente ser\u00e1 de muita volatilidade. <\/p>\n<p>Isso significa que mesmo essas posi\u00e7\u00f5es mais descontadas v\u00e3o demorar para conseguir gerar retornos consistentes. Hoje, acho que fora do Brasil temos melhores oportunidades de risco-retorno do que aqui.<\/p>\n<p><strong>E qual a perspectiva da Ibiuna para o c\u00e2mbio?<\/strong><\/p>\n<p>Os Estados Unidos provavelmente v\u00e3o come\u00e7ar a subir os juros em meados de 2022, e a alta deve acontecer mais cedo e ser mais forte que as eleva\u00e7\u00f5es em outras regi\u00f5es, como a Zona do Euro. Isso provavelmente levar\u00e1 a um fortalecimento global do d\u00f3lar, um ambiente em que n\u00e3o \u00e9 positivo ter exposi\u00e7\u00e3o em mercados emergentes. Estamos bastante defensivos com a exposi\u00e7\u00e3o a moedas emergentes nesse ciclo, e isso inclui o real brasileiro.<\/p>\n<p><strong>Pensando nessa alta de juros nos EUA, como voc\u00eas enxergam o mercado de renda vari\u00e1vel americano? Deve ficar menos atrativo?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00f3s antecipamos que o mercado vai estar mais preocupado com isso a partir de meados do primeiro trimestre do ano que vem. At\u00e9 l\u00e1, n\u00f3s continuaremos vendo um ambiente de condi\u00e7\u00f5es financeiras extremamente relaxadas em uma economia que vem mostrando resili\u00eancia no seu crescimento. Continuamos gostando das a\u00e7\u00f5es nos Estados Unidos, achamos que at\u00e9 o final deste ano e o come\u00e7o do ano que vem ainda teremos uma perspectiva de alta bastante significativa.<\/p>\n<p>Quando chegar o momento, vamos reavaliar nossa posi\u00e7\u00e3o. Mas j\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel dizer que o ano de 2022 ser\u00e1 muito mais vol\u00e1til tamb\u00e9m para a bolsa americana.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A infla\u00e7\u00e3o j\u00e1 se tornou \u2013 e ser\u00e1 cada vez mais \u2013 o grande foco dos mercados. Essa \u00e9 a vis\u00e3o de Rodrigo Azevedo, s\u00f3cio-fundador e CIO da \u00e1rea macro da Ibiuna Investimentos, uma das gestoras mais conceituadas do Brasil, com 24,1 bilh\u00f5es de reais sob gest\u00e3o. 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