A performance diferenciada dos gestores independentes nos fundos de previdência aberta tem sido pouco eficaz na massificação das carteiras sem vínculo com grandes bancos. Embora em valores o patrimônio do grupo das casas menores tenha saltado de R$ 4 bilhões para R$ 10,8 bilhões entre 2010 e 2015, conforme levantamento da consultoria NetQuant, o percentual em relação ao total de recursos do segmento manteve-se praticamente estável no período: 2,47% em 2010, ante 2,54% neste ano. A pequena variação mostra que a elevação do patrimônio dos fundos independentes veio na esteira do próprio crescimento da previdência aberta no período.

 

Conforme a NetQuant, os fundos que recebem recursos de PGBLs e VGBLs apresentaram crescimento de 19,54% no patrimônio líquido em 12 meses terminados em setembro (R$ 425 bilhões). A taxa de expansão do segmento se mantém em dois dígitos ao longo da década, impulsionada, em grande parte, pelo esforço dos grandes bancos em oferecer os produtos ao público dentro das agências. “A indústria de previdência é nova e o crescimento ainda é baseado na distribuição dos bancos”, afirma Felipe Bottino, gerente de produtos de previdência da Icatu Seguros.

 

A falta de acesso a uma rede de venda pulverizada ajuda a manter os fundos independentes relativamente escondidos do grande público. “Nós não temos uma capilaridade na área de vendas para acessar pessoa física na ponta como um grande banco”, afirma Caio Santos, sócio responsável por relacionamento com investidores e produtos da gestora Ibiuna.

 

Bottino, porém, considera os diferenciais da gestão independente mais aderentes a um público de alta renda. “O público do varejo precisa de alocação mais conservadora, e o CDI [referencial de retorno livre de risco] já rende muito mais que a poupança”, explica. Para o executivo da Icatu, os clientes mais abastados são os que buscam o diferencial de gestão oferecido pelos gestores não vinculados a bancos. “Para quem quer um investimento sem risco, faz pouca diferença a gestão independente, tanto faz o CDI aqui ou no banco”, afirma.

 

Conforme o gerente da Icatu, um movimento que poderá ajudar a impulsionar os independentes é a distribuição dessas carteiras pelos próprios bancos, em situação semelhante à ocorrida no segmento private, de clientes mais ricos, em relação a fundos de investimento de fora da instituição. “É uma diversificação natural e saudável. E no mercado de previdência não existia isso há alguns anos”, diz. Santos, da Ibiuna, também enxerga momento semelhante: “Hoje os gestores de bancos já compram fundos de terceiros. Acredito que na previdência essa diversificação também ocorrerá”.