SÃO PAULO – Fundamentalista, mas pragmática. É assim que André Lion, gestor de renda variável da Ibiuna Investimentos, resume a estratégia de análise do melhor fundo long&short existente na plataforma XP. O Long Short Ibiuna acumula ganhos de 17,1% nos últimos 12 meses, o equivalente a 229% do CDI do período e está fechado para o mercado em geral, mas ainda disponível para clientes da XP Investimentos.

“A abordagem que a Ibiuna tem na parte macro é similar ao micro: fundamentalista, mas pragmática. Não tem amor nem ódio por nenhum ativo ou empresa. Fazemos a análise e tentamos entender se a ação tem valor e qual seu valor justo. Com base nisso olhamos para o mercado para saber se é para comprar ou vender”, contou Lion no programa Papo com Gestor desta semana (confira a entrevista completa no vídeo acima).

Parece simples e, para Lion e seu time experiente, realmente é. “Nosso método é muito objetivo, o que tentamos fazer é identificar o cenário. Temos que identificar os papéis que subiram demais e que caíram demais. O que tentamos fazer sempre é identificar esse valor, quanto a ação vale de verdade, quanto seria um preço razoável e, quando chegar perto desse valor, começamos a reduzir a posição”, explica.

Com todo esse pragmatismo, não há espaços para surpresas, garante. “Vemos que as empresas tendem à média. Mesmo aquelas que têm vantagem corporativa muito forte têm limitações impostas pela economia ou por um novo competidor. Temos que ter esses fatores claros para saber quando um papel foi muito longe e quando nossa margem de segurança começa a diminuir”, afirma Lion, relembrando uma tese de investimento que foi desmontada recentemente: a Petrobras.

O gestor comprou as ações quando Pedro Parente assumiu o negócio, em junho de 2016, dada a expectativa que o novo líder traria uma gestão extremamente rentável mesmo com a companhia seguindo estatal. Isso de fato estava se materializando, até a greve de caminhoneiros: “a Petrobras internamente decidiu abandonar, mesmo que temporariamente, a política de preço. Foi uma quebra de paradigma e acabamos zerando posição em R$ 21”, relata o pragmático Lion.

Valor do ativo, tese de investimento e situação do mercado. É de olho nessa tríade que Lion e sua equipe decidem quando é hora de entrar, manter ou sair de um ativo, que deve, sempre, atender a um importante critério: sua liquidez diária não pode ficar abaixo de R$ 5 milhões. É o que garante a agilidade do fundo para montar e desmontar posições. A estratégia vale também para outros fundos da Ibiuna, que tem um total de R$ 6,4 bilhões de ativos sob sua responsabilidade.

No final da entrevista, Lion também explicou a tese de investimentos em cima de Eletrobras, na qual ele montou uma estrutura “long” (comprada) em ELET6 e “short” (vendida) em ELET3.