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20 de novembro de 2020

As apostas da Ibiuna, da Legacy e da Occam para os investimentos no pós-crise

Gestores apontam para aumento da pressão inflacionária e elevação dos juros, e mostram preocupação com economia brasileira.

SÃO PAULO – A retomada em curso da economia global, com esperada aceleração da atividade em 2021, deverá ser acompanhada de novos desafios para os investidores tomarem decisões com relação ao seu portfólio.

Inflação em alta e aumentos dos juros estão na mesa, assim como perspectivas favoráveis para o mercado de commodities. Com relação às bolsas e à rotação das carteiras especialmente nos Estados Unidos, há avaliações diferentes com relação ao potencial de mercados desenvolvidos e mesmo no grupo dos emergentes.

Gestores da Ibiuna Investimentos, da Legacy Capital e da Occam Brasil apresentaram suas visões para os mercados e suas alocações de portfólios durante a 4º edição do Simpósio de Gestores, promovida na manhã desta terça-feira (24) pela Santander Asset Management.

Rodrigo Azevedo, sócio da Ibiuna e ex-diretor do Banco Central, ressaltou que a profunda recessão gerada pela epidemia de coronavírus foi curta e sincronizada, com todos os países em queda e os bancos centrais com uma ação coordenada.

A expansão da atividade vista neste momento, diz, também tem sido em ritmo acelerado e sincronizado, ainda que os bancos centrais sigam monitorando uma piora da epidemia e mantendo as medidas adotadas para conter a retração.

Já a maneira como cada país tem reagido tem sido única, por conta dos graus de estímulo recebidos e de suas capacidades financeiras. Por isso, a saída da crise também será diferente para cada um, disse Azevedo, com menção especial ao Brasil.

Em meio a um crescimento relativamente baixo projetado para 2021 e a pressões inflacionárias aparecendo no horizonte antes do esperado, o gestor da Ibiuna mostrou ceticismo com relação a um ajuste fiscal significativo no curto prazo.

Estamos com uma posição muito defensiva no Brasil, comprados principalmente em inflação implícita, sem conforto para posições em ativos de risco”, afirmou Azevedo. “O mercado já está precificando quase quatro pontos de alta para o ano que vem. Os juros são para cima. E o mesmo vale para Chile, Colômbia e Inglaterra.

A retomada de setores diretamente afetados pela pandemia (como de serviços) com o lançamento de vacinas contra a Covid-19 vai gerar pressão inflacionária e reduzir o espaço para a manutenção de juros globais tão baixos por muito tempo, ressaltou o gestor.

De toda forma, dado que os juros seguem ainda em um patamar bastante baixo, a visão é de depreciação do dólar e um cenário favorável para as bolsas. Mas a avaliação sobre o mercado de ações brasileiro não é tão favorável na Ibiuna, diante das questões fiscais domésticas. A gestora tem ainda uma visão positiva para commodities, com exceção do ouro.

Felipe Guerra, sócio e CIO da Legacy Capital, também está otimista com os preços das matérias-primas, com a entrada em um ciclo não visto há mais de uma década.

Sua avaliação é de que os juros ficarão baixos por muito tempo, com uma retirada lenta dos estímulos dados por bancos centrais. Com o desenvolvimento das vacinas, a Legacy tem uma visão muito positiva e confiante em relação a um crescimento global sincronizado daqui para frente.

No entanto, da mesma forma que a Ibiuna, há uma percepção mais cautelosa com o Brasil especificamente. Empresas vinculadas a commodities, como Petrobras, Vale e Suzano, oferecem potencial de valorização atrativo, disse Guerra, mas há maior receio com a parte doméstica.

Mesmo com ativos baratos e uma boa condição técnica dos mercados, os fundamentos do Brasil estão “duvidosos”, afirmou o sócio da Legacy. Por isso, é hora de aguardar a resolução da questão fiscal para “comprar o país”.

Hoje, 90% da exposição da casa está em mercados internacionais, desenvolvidos ou emergentes asiáticos, e a gestora está atenta a um movimento de depreciação do dólar com potencial da ordem de 10% a 15%, especialmente em relação às moedas desses países.

Carlos Eduardo Rocha, o Duda, que comanda a Occam Brasil, chama atenção para a rotação dos portfólios em meio à proximidade do lançamento de uma vacina, com expectativa de retomada de setores que sofreram bastante na crise.